A Polícia Militar e o Grupo de Operações Especiais dos agentes penitenciários conseguiram conter a rebelião na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, região metropolitana de Natal. As tropas invadiram a unidade prisional por volta das 5h30 deste domingo (15), mais de 14 horas após o início do motim. O número de mortos ainda não foi confirmado.
 
De acordo com a Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed), o presídio está totalmente dominado pelas forças de segurança. Ainda segundo a Sesed, não houve conflito entre militares e detentos durante a operação, considerada exitosa.
 
Participaram da incursão policiais do Batalhão de Choque (BPChoque) e do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), além dos agentes do GOE. O helicóptero Potiguar I e agentes da Força Nacional deram suporte aos militares.
 
O clima no em torno do presídio, no entanto, ainda é tenso. No início da manhã, presos foram avistados sobre o teto dos pavilhões do presídio, assim como uma fumaça escura saindo de uma das alas da penitenciária. Há sinais de deterioração da estrutura. 
 
A Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc) informou que não houve fugas. O trabalho de contagem dos presos, remoção dos corpos e de avaliação dos danos deve começar nas próximas horas.
 
A cúpula do Governo do Estado, que durante a madrugada esteve reunida no Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Secretaria de Segurança deve convocar uma coletiva de impressa ainda durante a manhã deste domingo para detalhar a ação. 
 
A rebelião em Alcaçuz teve início por volta das 16h30 deste sábado. De acordo com a Presidente dos Agentes Penitenciários do Rio Grande do Norte, Vilma Batista, a rebelião começou com os detentos do Pavilhão 5, ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Eles foram até o Pavilhão 3, onde estão cerca de 400 presos que não são ligados a facções criminosas. Os dois grupos atacaram o Pavilhão 4, onde estão os presos do Sindicato do Crime do RN, dando início a rebelião.
 
Em seguida, os detentos dos pavilhões 1 e 2, que também são ligados ao Sindicato do Crime, saíram em defesa dos apenados do Pavilhão 4. Para isso, bloquearam a saída do Pavilhão 3 e atearam fogo em colchões e outros objetos do lado de fora, com o objetivo de asfixiar os detentos dos pavilhoes 3 e 5 com a fumaça.
 
Ainda de acordo com Vilma Batista, os presos destruíram equipamentos e cortaram a energia de Alcaçuz. Policiais militares e agentes penitenciários não entraram na penitenciária desde o início do motim e passaram toda a madrugada do lado de fora, com o intuito de evitar fugas. A iluminação no presídio foi reestabelecida no fim da noite.
 
O Presídio de Alcaçuz, em Nísia Floresta, é a maior unidade prisional do Rio Grande do Norte e abriga cerca de 1.300 presos. O complexo penitenciário tem capacidade para pouco mais de 600 detentos.