Sofrido e suado, mas indiscutivelmente merecido. Assim pode ser definido o título estadual da Chapecoense, conquistado hoje, em partida contra o Avaí, diante da Arena Condá lotada. O dia tinha tudo para entrar para história e não foi diferente. O Clube alviverde estava a um passo de conquistar, pela primeira vez, o bicampeonato estadual e próximo de confirmar um título de grande expressão pouco mais de quatro meses após ter recomeçado, praticamente, do zero.
Além da motivação pessoal de cada atleta e do ânimo de todo o grupo, havia um algo a mais que instigava cada um dos jogadores que entraram em campo e cada um dos torcedores que preencheram todos os espaços da arquibancada. Uma força que, desde o começo, desafiou o entendimento e os céticos – que juravam que a Chape sucumbiria diante de tantas dificuldades. Uma força presente em cada oração e discurso feito antes de cada partida, em cada comemoração de gol decisivo e, da mesma forma, presente ali, no momento em que atletas, comissão técnica, diretoria e toda a família Chapecoense se reuniu para levantar a taça. Aos céus; porque foi por eles.
Tendo vencido a primeira partida da decisão na Ressacada, por 1×0, a Chape entrou em campo com a vantagem de jogar por dois resultados iguais. Ainda assim, empurrada pelo seu torcedor, a equipe alviverde não se intimidou e foi pra cima, frustrando a tentativa do adversário de adiantar a marcação para dificultar a saída de bola do Verdão. Até a metade da etapa inicial, o que se viu foi um jogo extremamente disputado e equilibrado, com pouco espaço em campo e a Chape tendo levado perigo ao gol de Kozlinski em pelo menos duas oportunidades. Aos 27, numa das únicas ações ofensivas do Avaí, Leandro Silva chutou de fora da área para abrir o placar. Após o gol, o jogo perdeu em intensidade, mas o resultado seguia garantindo a permanência da taça em Chapecó.
Precisando ampliar a vantagem para conquistar o título, o Avaí voltou para o segundo tempo se expondo mais. Em inúmeras oportunidades, o Leão da Ilha chegou com perigo à meta alviverde, mas esbarrou nas boas defesas do capitão Artur Moraes. Com a Chape pressionada, Mancini alterou o esquema da partida, colocando Apodi na lateral e reposicionando João Pedro no meio de campo. Do camisa dois surgiu uma das melhores oportunidades do Verdão, ao disparar em velocidade e chutar na trave. O time não conseguiu chegar ao empate, mas fez boa leitura de jogo e soube segurar a pressão e garantir o resultado – nessas circunstâncias, favorável – garantindo o bi. Quando Bráulio Machado apitou o final da partida, a Arena Condá foi inundada por uma alegria imensurável, justa e há muito esperada.
O técnico Vagner Mancini destacou o desempenho da equipe em todo o Campeonato Catarinense e chamou a atenção, principalmente, pelo significado dos resultados alcançados, considerando as circunstâncias. “Nós sabíamos que a Chape teria muitas dificuldades em função da reconstrução do time, mas em virtude do trabalho, alcançamos o título, batendo adversários que são rivais e que são difíceis de serem batidos. E eu quero exaltar não só o que foi feito dentro de campo, mas também exaltar o trabalho de todas as pessoas que formam o Departamento de Futebol na Chapecoense, porque isso é inédito no mundo. Você ter que reconstruir um time e ganhar um título depois de quatro meses, tendo todas as estatísticas como melhores (…) A Chape chegou com muita justiça ao título” afirmou.
Ainda neste domingo a delegação da Chapecoense inicia viagem rumo à Colômbia onde enfrenta, na próxima quarta-feira (10) a equipe do Atlético Nacional pela segunda partida da final da Recopa Sul-Americana.
Com informações do Site oficial da Chapecoense