REMÉDIO AMARGO EM TEMPOS DE CRISE.
Vivemos, sem dúvida, um tempo de vacas
magras, como popularmente se diz quando o dinheiro está curto. A novidade deste
momento é que, desta feita, o curral todo foi atingido pela magreza de suas
reses.Antes, as vacas magras existiam apenas nos
currais do povo. Agora não, Estados e Municípios vivem tempos de vacas magras,
os currais todos foram atingidos.Em tempos de crise, os Gestores Públicos
Municipais tem que aplicar remédio amargo, mas necessário. Na verdade
estranham-se os remédios prescritos contra a crise porque são amargos. E só é
amargo aquilo que tem-se que tomar. Ou, em outras palavras, há gemidos, choros,
reclamações, desconforto, por aqueles
para os quais as doses dos amargos remédios forem ministradas. E é normal que
assim fique quem experimentou a dose. Afinal, quem gosta de amarguras?Mas é bom que se diga que elas são hoje
indispensáveis a qualquer administração pública que queira subsistir a estes
tempos menos generosos em termos econômico-financeiros. Sem essas medidas
impopulares, verdadeiros remédios amargos, amargar-se-á, num breve futuro, não
mais a impopularidade pelas medidas ontem tomadas, mas a impopularidade pela
ingovernabilidade, fruto da fraqueza e da covardia de não tê-las tomado.Assim, ou os prefeitos cortam gastos em suas administrações, e
isso obviamente traz desconfortos, reconhecemos, ou não terão mais, em
curtíssimo espaço de tempo, o que administrar. Ou priorizam-se os gastos
financeiros com o que é essencial, tipo pagamento em dia dos efetivos, dos
fornecedores, ruas limpas e iluminadas, postos de saúde funcionando plenamente
e escolas abertas sem faltar merenda escolar, ou o caos se instalará.
Porque com as constantes quedas do FPM
(Fundo de Participação dos Municípios), maior fatia do bolo orçamentário de
qualquer prefeitura do interior do Nordeste, não há como os municípios se
manterem senão cortando os supérfluos,
diárias, gratificações, cargos comissionados, economia de energia nos prédios
públicos, reduzindo expediente de dois
expediente para horário corrido, entre
tantos outros gastos que não vou especificar aqui.
O administrador que tomar as medidas
urgentes e necessárias, apesar de amargas e impopulares, terá uma chance de em
breve retomar a normalidade da administração pública, posto que uma crise não
dura para sempre.Em contrapartida, aquele que não aplicar o
remédio amargo nesta hora difícil e preferir o caminho aparentemente menos
espinhoso, podem ter certeza, estará dando passos largos para o precipício
administrativo, vez que não conseguirá manter os supérfluos e muito menos
suprir o essencial.Saber governar é também saber a hora de
negar, abrindo espaços para num futuro conceder dias melhores para seus munícipes. Gestão Pública, nem todo cidadão(ã) que ocupa um cargo de Gestor é capaz de fazer
uma boa Gestão se não tiver conhecimento da sua importância na Administração
Pública.
Williams Rocha
Gestor Público/UERN
Cursando Pós-Graduação em Direito Público/UERN
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