
Após um breve alívio ontem, o Ibovespa voltou a repercutir os temores com a Reforma da Previdência no Brasil e a desaceleração da economia global, que abala as bolsas mundiais nesta quarta-feira (27). Em meio a crise entre o Planalto e o Congresso, os investidores também acompanham as falas do ministro da Economia Paulo Guedes no Senado.
Neste cenário, o benchmark da bolsa fechou com forte queda de 3,57%, aos 91.903 pontos – seu pior pregão desde o dia 6 de fevereiro, quando caiu 3,74% -, e batendo seu menor patamar desde 7 de janeiro. O volume financeiro ficou em R$ 17,818 bilhões.
Enquanto isso, o dólar comercial disparou 2,27%, cotado a R$ 3,9545 na venda, ao passo que o dólar futuro com vencimento em abril subiu 2,11%, a R$ 3,959. O movimento da moeda brasileira acompanha o dos emergentes, em meio aos receios de elevação das taxas overnights pela Turquia.
Os juros futuros também refletiram o cenário de maior aversão ao risco e registram alta dos seus principais contratos. O contrato com vencimento em janeiro de 2021 teve alta de 18 pontos-base, a 7,29%, enquanto o de janeiro de 2023 subiu 25 pontos-base, para 8,52%.
Em audiência na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Guedes falou sobre os rumores de sua saída do cargo caso a Reforma da Previdência não chegue a uma economia de R$ 1 trilhão.
“Eu respondo sempre a mesma coisa, que acredito em três coisas: dinâmica virtuosa da economia, que os Poderes vão fazer cada um o seu papel e que, se o presidente apoiar as coisas que eu acho que podem resolver para o Brasil, eu estarei aqui”, destacou, para depois complementar: “mas se ou o Presidente ou a Câmara ou ninguém quiser aquilo […], eu voltarei para onde sempre estive”.
“Eu estou aqui para servi-los. Se ninguém quiser o serviço, foi um prazer ter tentado”, disse destacando ainda não ter apego ao cargo, mas afirmando também não ter a inconsequência e a irresponsabilidade de sair na primeira derrota.
Após as trocas de farpas entre o Planalto e o Congresso nas últimas semanas, Guedes disse que em nenhum momento esteve preocupado com “fofocas e fuxicos”. “Os Poderes são independentes e cada um tem que fazer o seu papel. Tenho fé inabalável de que todos estão se aprimorando, vão saber convergir para trabalhar pelo bem público. Estamos todos, governo, oposição, compreendendo nosso papel.”
O noticiário sobre Reforma voltou a preocupar após a Câmara, em votação relâmpago, impor derrota ao governo de Jair Bolsonaro, aprovando com mais de 400 votos emenda que diminui a margem de manobra do governo com o orçamento. A votação repercutiu como um recado da Câmara ao governo sobre a postura de não negociar com partidos.
Os indicadores de confiança também mostram o maior pessimismo da “economia real”. A FGV divulgou os dados de confiança do consumidor de março, que mostraram queda de 5,1 pontos na comparação com fevereiro na série com ajuste sazonal. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) desceu a 91,0 pontos, o menor nível desde outubro de 2018. É a segunda queda seguida, perdendo 5,6 pontos, após quatro meses consecutivos de avanço, período em que acumulou um aumento de 13,5 pontos.
Já no exterior, se ontem as principais bolsas mundiais registraram uma sessão de alívio, o pregão desta quarta é de maior cautela com os investidores voltando a esboçar preocupação com os sinais de enfraquecimento da economia global após a inversão da curva de juros dos Treasuries e novos indicadores decepcionantes.
No primeiro bimestre, o lucro de grandes empresas industriais da China sofreu queda anual de 14,1%, bem maior do que a redução de 1,9% vista em dezembro. Recentes dados fracos de manufatura de economias desenvolvidas também se somaram às preocupações.
Vale destacar que, amanhã, funcionários de alto escalão dos governos da China e dos Estados Unidos iniciam uma nova rodada de discussões comerciais em Pequim. Na semana que vem, o diálogo sino-americano vai se transferir para Washington.
InfoMoney
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