
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, anunciou que vai apresentar uma representação à Polícia Federal contra parlamentares que, segundo ele, estariam estimulando uma intervenção estrangeira no Brasil após o ataque dos Estados Unidos à Venezuela.
A iniciativa ocorre em meio à repercussão do sequestro de Nicolás Maduro e ao aumento de manifestações de parlamentares brasileiros alinhados ao bolsonarismo que, na avaliação do PT, sugerem apoio a ações externas contra o governo brasileiro.
Na peça que será entregue diretamente à Polícia Federal, Lindbergh pretende citar nominalmente o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-RJ) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato da extrema-direita à Presidência.
Para o líder petista, ambos insinuaram, em publicações recentes, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia se tornar um novo alvo do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, à semelhança do que ocorreu com Maduro. Lindbergh sustenta que esse tipo de discurso ultrapassa a crítica política e pode configurar crime contra a soberania nacional.
“O que está em curso é grave: uma atuação coordenada para atacar a soberania nacional e o Estado Democrático de Direito”, escreveu o parlamentar no X.
Segundo o parlamentar, as postagens e declarações devem ser analisadas sob os enquadramentos de estímulo a ameaças estrangeiras, traição e atentado à soberania do país. “Isso pode configurar crimes gravíssimos: atentado à soberania, tentativa de golpe e associação criminosa”, explicou.
Na representação, ele pretende relembrar episódios anteriores envolvendo Flávio Bolsonaro, como declarações nas quais o senador teria insinuado que gostaria de ver embarcações dos Estados Unidos na Baía de Guanabara bombardeando traficantes no Rio de Janeiro.
Para Lindbergh, esse histórico reforça a gravidade do caso. “É o golpe continuado. Depois de tentar com os militares brasileiros, agora querem com os americanos. A Polícia Federal tem de investigar esses caras”, afirmou ao Metrópoles.
O deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e o professor Juliano Medeiros também anunciaram medidas contra Nikolas, acionando a PGR. Para eles, a imunidade parlamentar não protege condutas que atentem contra a ordem democrática ou incentivem ações externas contra o país.
“Ninguém está acima da lei. Por isso Ivan Valente e eu estamos apresentando uma representação na PGR contra Nikolas Ferreira. Nenhum parlamentar está protegido pela imunidade do cargo quando se trata se sugerir o sequestro do presidente do Brasil e uma invasão estrangeira”, escreveu Medeiros.
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