
A repercussão das imagens do adolescente de 13 anos usando uma farda associada ao nazismo durante o baile de formatura de Medicina da Facene, em Mossoró, expôs um histórico de estímulos dentro da própria família. O caso, revelado nas redes sociais no domingo (11), fez internautas divulgarem postagens antigas de parentes que sugerem admiração por símbolos ligados ao regime de extrema-direita e comportamentos que o encorajariam a seguir a mesma linha.
Um dos exemplos citados é o da médica Natália Lima, tia do garoto. Em seu perfil no Instagram, ela chegou a elogiar o “colar” usado pelo sobrinho em uma foto antiga. O colar é, na verdade, a cruz de ferro, símbolo militar que foi incorporado à iconografia do regime nazista.
Em outra postagem, ela o classificou como “mini gênio”, em um contexto em que vestimentas com referências ao nazismo já apareciam nas redes do adolescente.
Natália também é filha de Mestre Adamir, um dos fundadores da União do Vegetal (UDV), grupo que anos depois enfrentou denúncias envolvendo teses eugenistas e supremacistas brancas, além de investigações federais sobre uso político da ayahuasca em 2024. Em seus stories antigos, a médica já havia publicado conteúdos de esoterismo e ocultismo, além de demonstrações de simpatia pelo presidente estadunidense Donald Trump.
As fotos do baile mostram que a família não apenas permitiu a entrada do adolescente com roupas comuns, como também facilitou que ele se trocasse no interior do evento para posar ao lado de formandas e convidados. Há ainda relatos de que um familiar tentou incentivar uma mulher a realizar a saudação nazista enquanto o garoto fazia o gesto diante das câmeras.
Após a repercussão, vários perfis da família foram apagados ou colocados no modo privado, incluindo o do próprio adolescente, que tinha na descrição de sua “bio” o lema de exaltação a Adolf Hitler “Ein Volk, ein Reich, ein Führer” (“Um povo, um Império, um Líder”, em tradução livre).
Nas imagens que viralizaram nas redes sociais, o jovem aparece com camisa cinza de mangas longas, insígnias no peito e nos ombros, calça verde-acinzentada e botas pretas de cano alto, além de realizar gesto associado à saudação do regime nazista. As roupas reproduzem elementos históricos ligados à Alemanha comandada por Adolf Hitler.
A comissão de formatura afirmou que tomou conhecimento do caso somente após o evento. Em um comentário nas redes sociais, a presidente do grupo declarou que os estudantes ficaram “estarrecidos”.

Segundo ela, por se tratar de conduta criminosa, o adolescente e seus responsáveis seriam retirados do local caso a organização tivesse notado a caracterização. Ela reforçou que cerca de duas mil pessoas participavam da festa, o que dificultou a identificação imediata. Uma aluna relatou que o garoto entrou com roupas comuns e se trocou no salão.
No Brasil, a apologia ao nazismo é crime previsto na Lei 7.716/1989, que trata de atos discriminatórios e da divulgação de símbolos associados ao regime. No caso de menores de idade, a apuração ocorre sob as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente, com eventuais medidas socioeducativas determinadas pela Justiça.



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