
A crise política que se desenha no Rio Grande do Norte ganhou novos contornos após setores da imprensa local apontarem que o desembargador Ibanez Monteiro, atual presidente do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), não teria disposição para assumir a administração do Estado em um eventual mandato tampão. A informação, ainda não formalizada por meio de nota oficial, amplia o cenário de incerteza e revela o tamanho do impasse institucional que se forma nos bastidores do poder.
Pelo desenho constitucional, em situações excepcionais, a Presidência do TJRN pode ser chamada a assumir temporariamente o Executivo estadual até a realização de novas eleições. No entanto, a sinalização de que Ibanez Monteiro não pretende exercer esse papel reforça a tese de que o Judiciário não deseja ser protagonista político em um momento de forte instabilidade, evitando desgastes e questionamentos sobre interferência entre os Poderes.
Diante dessa recusa, cresce a pressão para que, caso o desembargador venha a assumir apenas formalmente, determine de imediato a convocação de eleições, transferindo a decisão ao eleitorado e encerrando o período de interinidade. A avaliação predominante entre analistas é de que prolongar um mandato tampão sem legitimidade popular aprofundaria a crise política e administrativa do Estado.
Nesse vácuo, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN) surge como um espaço onde há, claramente, interessados em assumir a missão. Entre os nomes citados nos bastidores está o do deputado Vivaldo Costa, figura histórica da política potiguar, ex-governador e com trajetória consolidada no Parlamento estadual. Aliados apontam que Vivaldo reúne experiência administrativa, trânsito político e conhecimento da máquina pública, atributos considerados essenciais em um cenário emergencial.
A possibilidade de um parlamentar assumir, no entanto, também não está livre de controvérsias. Especialistas alertam que qualquer solução que não passe diretamente pelo voto popular tende a enfrentar resistência social e questionamentos jurídicos, sobretudo em um ambiente de desconfiança generalizada da classe política.
O fato é que o RN vive um momento de encruzilhada institucional. A recusa do Judiciário em administrar o Estado, a existência de interessados no Legislativo e a pressão crescente por eleições revelam que a saída mais segura, do ponto de vista democrático, pode ser a devolução rápida do poder ao povo. Até lá, o Estado segue mergulhado em um cenário de indefinição, onde cada movimento é acompanhado com cautela e desconfiança. Ou seja: pode haver eleições suplementares se assim persistir.
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