Tarcísio adia visita a Bolsonaro para evitar o beijo da morte e volta a ser humilhado por Eduardo


Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Foto: reprodução

Tarcísio de Freitas adiou a visita a Jair Bolsonaro na Papudinha, oficialmente por “motivos de agenda”. A explicação protocolar não convence ninguém que acompanha minimamente o bolsonarismo por dentro e por fora.

A ida ao 19º Batalhão da PM em Brasília estava autorizada por Alexandre de Moraes e marcada, mas virou um constrangimento grande demais para ser encarado agora. O governador percebeu que aquele encontro selaria o beijo da morte e preferiu empurrar com a barriga. O sujeito batalha para pôr o chefe numa cela decente e ouve que tem de calar a boca e  apoiar Flávio sem reclamar? É de lascar.

Em vídeo de terça (20), Eduardo humilha Tarcísio determinando que ele será candidato à reeleição em São Paulo. O problema de Tarcísio não é apenas Bolsonaro. São, sobretudo, os filhos. Flávio deixou claro que não existe espaço para qualquer projeto presidencial fora do controle da família.

Eduardo e Carlos nunca esconderam a desconfiança em relação ao governador, visto como um corpo estranho que pode crescer demais. No bolsonarismo real, não há herdeiros por mérito, só por sangue. É uma máfia.

Bolsonaro, por sua vez, não enxerga saída política que não passe pelos pimpolhos. É como a família de Gilberto Gil, que formou uma banda e dispensou outros músicos para o cachê ficar em casa. Preso, isolado e sem horizonte jurídico, ele ainda tenta manter algum poder organizando o espólio eleitoral como um clã.

Qualquer aliado que não se submeta integralmente vira ameaça. Nesse ambiente, Tarcísio é tolerado apenas enquanto útil — jamais como sucessor natural. A visita serviria menos para afagos e mais para enquadrada.

Ao adiar o encontro, Tarcísio tenta ganhar tempo e reduzir o desgaste. Ele é ambicioso. Mas a fatura vai chegar. Os filhos odeiam a ideia de vê-lo crescer fora do controle deles, e Bolsonaro não tem margem para bancar um nome que não seja da família.

O governador escapou do constrangimento imediato, mas continuará tomando pancada. No bolsonarismo, quem não carrega o sobrenome certo nunca passa de peça descartável.

 

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