
Os Estados Unidos anunciaram o envio de caças para a Groenlândia em meio à escalada de tensões diplomáticas envolvendo a tentativa do presidente Donald Trump de pressionar pela incorporação do território hoje ligado à Dinamarca. As aeronaves, que devem incluir modelos avançados F-35, serão deslocadas para a base americana no norte da ilha ártica, considerada estratégica.
O anúncio foi feito pelo Norad (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte, no acrônimo em inglês), que afirmou tratar-se de uma operação rotineira, realizada em coordenação com a Dinamarca e com ciência do governo groenlandês. Segundo o comando, manobras desse tipo ocorrem periodicamente no Ártico, sobretudo para treinamento de interceptação aérea e monitoramento do espaço.
A movimentação coincide com exercícios militares organizados às pressas por países europeus aliados na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que enviaram pequenos contingentes à Groenlândia para sinalizar capacidade de defesa do território. França, Alemanha, Noruega, Suécia, Finlândia, Holanda e Reino Unido se juntaram à Dinamarca, que mantém o maior efetivo local.

Diante do cenário, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que não pode descartar totalmente uma invasão americana, embora a considere “improvável”. Ainda assim, o governo local recomendou que os cerca de 57 mil habitantes mantenham alimentos e suprimentos para pelo menos cinco dias, como medida preventiva.
Analistas não veem risco imediato de confronto direto entre aliados da Otan, o que colocaria em xeque a aliança fundada em 1949. Mesmo assim, a postura de Trump elevou a desconfiança entre países europeus, agravada pela ameaça feita no sábado (17) de impor tarifas de 10% a nações que apoiarem a posição dinamarquesa.
Os EUA mantêm presença militar contínua na Groenlândia desde 1951. A base de Pituffik é considerada vital para a defesa americana, operando radares e satélites de alerta contra mísseis da Rússia e da China, além de sensores para monitorar submarinos no Ártico. O reforço aéreo, embora oficialmente rotineiro, ocorre em um contexto político sensível e reforça o clima de tensão na região.
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