
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) reabriu a investigação contra Carlos Bolsonaro e outras 25 pessoas por suspeitas de desvio de dinheiro público por meio da prática conhecida como rachadinha na Câmara Municipal do Rio. Com informações do Globo.
A decisão foi tomada pela Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), que apontou a ausência de diligências consideradas essenciais na apuração anterior. No parecer, a Assessoria Criminal afirmou que “o prosseguimento das investigações revela-se medida necessária à adequada elucidação dos fatos”.
Segundo o documento, o arquivamento anterior não analisou de forma aprofundada pontos como a retirada de valores de um cofre bancário e a compra de um apartamento em Copacabana pelo então vereador. A investigação havia sido arquivada em setembro de 2024.
À época, o promotor Alexandre Murilo Graça sustentou que relatórios e laudos “não indicaram qualquer esquema de rachadinha em relação a Carlos Bolsonaro, visto que não se demonstrou qualquer circulação de valores para suas contas ou pagamentos”. Em 2025, o juiz responsável discordou do arquivamento e encaminhou o caso para nova análise da PGJ.

A lista de investigados inclui 26 pessoas, entre elas Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ela foi chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro entre 2001 e 2008. Relatórios de inteligência financeira mencionaram depósitos em dinheiro vivo que somam até R$ 340 mil na conta dela.
A defesa de Ana Cristina Siqueira Valle repudiou a reabertura. “É estarrecedor que, em um procedimento absolutamente recheado de nulidades absolutas, com a utilização de expedientes reconhecidamente ilegais, como a clara fishing expedition, sirva de fundamento para uma suposta reabertura de investigações de fatos claramente prescritos. A defesa continua confiando nas instituições regularmente constituídas, que, dissociadas de contextos políticos e eleitoreiros, observem e apliquem o bom Direito”, disse a defesa, em nota.

Madrasta de Carlos Bolsonaro citada em relatório do Coaf
A empresa registrada em nome de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-madrasta de Carlos Bolsonaro, realizou 1.185 saques em espécie entre 2008 e 2014, somando cerca de R$ 1,15 milhão. De acordo com os dados publicados, o maior volume de retiradas ocorreu em 2008, primeiro ano de funcionamento da empresa, quando R$ 274 mil foram sacados em 215 operações. No ano seguinte, foram registrados 168 saques, totalizando R$ 194,2 mil.
O relatório também mencionou depósitos em dinheiro vivo na conta pessoal de Ana Cristina. Em 2011, segundo as informações divulgadas, foram identificados dois depósitos em espécie que somaram mais de R$ 500 mil.
Além das movimentações bancárias, o Ministério Público incluiu o nome de Ana Cristina em medidas de quebra de sigilo. Ela atuou como chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro entre 2001 e 2008. Pessoas ligadas à empresa também apareceram nos registros analisados.
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