Migração de votos pode impulsionar Flávio, mas não garante vitória no 2° turno, avalia cientista político

Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

O cientista político Dawisson Belém Lopes avaliou, em publicação no X, que um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) pode repetir a dinâmica observada em disputas anteriores. A análise foi feita em resposta ao diretor da Quaest, Dalson Figueiredo, que apresentou projeção de votos válidos com base em cenários de primeiro turno.

Na publicação, Dawisson afirma que, no segundo turno, a transferência de votos de outros candidatos tende a ser mais intensa em direção a Flávio Bolsonaro. “Na eleição passada, Lula saiu do 1º turno com um estoque de 5 milhões de votos de dianteira. Não deve ser muito diferente neste ano”. Segundo ele, esse movimento “teria de ser massivo”, considerando um cenário em que o candidato do PL disputaria diretamente com Lula.

O cientista político também observa que esse tipo de transferência não ocorre de forma automática. O comportamento do eleitorado entre os dois turnos depende de fatores como rejeição, posicionamento ideológico e dinâmica da campanha, o que pode influenciar o resultado final.

Dados do Datafolha mostram que, entre eleitores que se identificam como de centro, Lula lidera com 31% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 17%, dentro de uma margem de erro de cinco pontos percentuais.

No segundo turno entre esse grupo, o levantamento indica 41% para Lula e 32% para Flávio Bolsonaro, configurando empate técnico dentro da margem de erro. O cenário inclui ainda 24% de votos em branco e 3% de indecisos entre os entrevistados.

Outro fator negativo para o senador de extrema-direita. O levantamento da Genial/Quaest aponta que 40% dos eleitores de Flávio Bolsonaro afirmam que podem mudar o voto até a eleição, percentual superior ao observado entre eleitores de Lula, dos quais 65% dizem estar com a decisão definida.

Os dados indicam maior dispersão no campo conservador, com diferentes candidaturas em disputa, enquanto o eleitorado do presidente apresenta maior estabilidade ao longo da campanha, desfavorecendo consideravelmente o candidato de oposição.

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