
Duas chamadas de capa da Folha, uma embaixo da outra. Esta é a primeira:
“Setor de autopeças da Argentina sofre com flexibilização de Milei e importação de peças da China”.
E esta é a segunda chamada:
“Por que roupas estão tão caras na Argentina e Javier Milei
Só que no dia 4 de abril a Folha publicou um editorial em defesa da próspera economia argentina, com esse título:
“Popularidade de Milei descola da economia”.

O jornal tentava contrariar uma realidade que não aceita muitas explicações diversionistas:
“Desaprovação do presidente argentino bate recorde, apesar das quedas nas taxas de inflação e de pobreza. Dada a redução da inflação de 211,4% em 2023 para taxa anualizada de 33,1% em fevereiro, a desaprovação de 61,6% a Milei parece inusitada”.
Nada parece inusitado na Argentina, porque a economia está mal, as pessoas empobrecem e o presidente, rejeitado por mais de 60% da população, já é percebido como um farsante e um gângster.
Então, o que a Folha fez, um mês depois de elogiar a economia argentina, em editorial aparentemente escrito por Inteligência Artificial, foi reconhecer, por seu jornalismo, que a realidade é outra.
A Argentina está quebrando. Mas amanhã a Folha pode publicar outro editorial contrariando o que seus repórteres informam.
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