Foto: Arquivo TN
A tragédia de Igapó marcou para sempre a história de Natal. Há quase 44 anos, um fio de alta tensão se rompeu após uma Kombi bater em um poste na rua Bacharel Tomaz Landim, na zona Norte da capital, deixando 26 mortos e mais de 80 feridos em um dos acidentes mais graves já registrados na cidade.
Segundo a cobertura da TRIBUNA DO NORTE publicada na época, uma Kombi desgovernada colidiu contra um poste da rede de transmissão de alta tensão. Com o impacto, um dos fios, de 69 mil volts, se rompeu e caiu sobre a via. O acidente aconteceu nas proximidades de uma parada de ônibus, onde havia várias pessoas transitando.
O motorista da Kombi foi socorrido por policiais e levado para o Hospital Walfredo Gurgel. Após receber atendimento médico, ele teria aproveitado a confusão provocada pela chegada de dezenas de feridos à unidade devido ao acidente e fugido sem informar seu nome à polícia.
O cenário se tornou ainda mais grave quando moradores e pessoas que passavam pela região se aproximaram para observar o acidente, sem saber que o fio permanecia energizado, várias pessoas foram atingidas por descargas elétricas. Segundo os relatos publicados pela TRIBUNA DO NORTE, algumas vítimas estavam próximas ao ponto de ônibus e outras foram atingidas ao entrar em contato com uma cerca de arame farpado que também estava energizada.
Foto: Arquivo TN
A tragédia provocou uma corrida aos hospitais de Natal. O Hospital Walfredo Gurgel recebeu dezenas de vítimas e precisou contar com o auxílio de médicos que chegavam à unidade para visitar pacientes. A reportagem registrou 68 pessoas atendidas no hospital, sendo cinco em estado grave. Outras vítimas foram encaminhadas para unidades como o Hospital Médico Cirúrgico e o serviço de atendimento de urgência do antigo Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps), nas Rocas.
Entre as vítimas estavam trabalhadores que seguiam para o emprego e moradores que saíram de casa para observar o acidente. A tragédia também atingiu crianças e pessoas que sequer estavam diretamente no local da colisão. A TRIBUNA DO NORTE relatou, por exemplo, o caso de uma mãe e sua filha que foram atingidas em casa depois que a corrente elétrica chegou até uma cerca de arame.
Um dos episódios que chamou atenção na cobertura foi o de um bebê de seis meses que sobreviveu ao acidente. O menino estava próximo à mãe quando ela foi atingida por uma descarga elétrica. Segundo a TRIBUNA DO NORTE, a criança acabou sendo encontrada dentro de uma cerca de arame, em uma poça de lama, sem nenhum ferimento. Para a família, o fato foi considerado um verdadeiro milagre.
Responsabilização pela tragédia
Após a tragédia, uma das principais questões levantadas foi a responsabilidade pelo acidente. Na época, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) e a Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) foram questionadas sobre o funcionamento da rede de alta tensão e sobre quem deveria responder pelas consequências do ocorrido.
De acordo com a TRIBUNA DO NORTE, uma análise inicial apontou uma possível falha mecânica no disjuntor da subestação de Natal, localizado na rua Bacharel Tomaz Landim. O equipamento deveria desligar automaticamente a rede de energia em caso de pane. No entanto, segundo a explicação apresentada pelo diretor de Operações da CHESF, o disjuntor não teria aberto como deveria, apesar de indicar que estava desligado.
Naquele momento, porém, não havia uma definição sobre quem seria responsabilizado pela tragédia. A CHESF afirmava que a linha atingida pela Kombi pertencia à COSERN, enquanto a empresa era responsável pela operação de ligação e desligamento da rede. O motorista do veículo também era citado entre os possíveis responsáveis, mas não havia sido identificado até o fim da tarde daquele dia.
A tragédia de Igapó deixou 26 mortos, dezenas de feridos e uma marca profunda na história de Natal. Quatro décadas depois, o episódio permanece entre os acontecimentos mais trágicos registrados na zona Norte da capital potiguar.
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