
Lideranças bolsonaristas no Congresso passaram a apostar no senador Rogério Marinho (PL-RN) para reorganizar a oposição a Lula após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fugir do Brasil rumo aos Estados Unidos. Marinho coordenou a campanha do senador fluminense e hoje lidera a oposição no Senado.
A fuga de Flávio ocorreu após sua derrota eleitoral no domingo (25) e abriu uma disputa sobre quem ocupará o posto de principal voz anti-Lula no campo bolsonarista. Aliados avaliam que Marinho reúne condições para assumir essa articulação, ao menos no curto prazo.
Uma liderança da oposição afirmou que o Senado será a principal frente de enfrentamento ao governo e citou a movimentação de Marinho para disputar a Presidência da Casa. “Ele já é o grande estrategista e articulador da oposição ao governo Lula”, disse.
Em entrevista à imprensa na terça-feira (27), Marinho afirmou que não tinha informações sobre o paradeiro de Flávio e disse que se surpreendeu com os planos do colega. “Nós estamos surpresos”, declarou, ao mencionar uma conversa anterior sobre a necessidade de Flávio assumir a liderança oposicionista depois de receber 60 milhões de votos.

Senado concentra estratégia bolsonarista contra o governo Lula
A estratégia bolsonarista prevê usar a força no Senado para pressionar o governo em votações de propostas de emenda à Constituição, medidas provisórias e indicações que dependem da aprovação dos senadores. Entre elas estão nomes para o Supremo Tribunal Federal, agências reguladoras, embaixadas e a diretoria do Banco Central.
O grupo favorável ao impeachment de ministros do STF reúne ao menos 49 senadores, segundo levantamento citado pela coluna de Malu Gaspar. O número está abaixo dos 54 votos exigidos para a abertura de processos de cassação de magistrados, patamar fixado pelo ministro Gilmar Mendes em decisão de dezembro do ano passado.
A principal bandeira desse grupo é o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, relator de investigações que atingem Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília após condenação a 27 anos e três meses por tramar um golpe de Estado.
A Polícia Federal pediu a Moraes a apreensão do passaporte de Flávio sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral confirmar matematicamente a vitória de Lula no segundo turno. Horas depois, Moraes proibiu o senador de deixar o país ao apontar “risco concreto de evasão do território nacional” e mencionar o poder econômico de investigados ligados ao advogado Willer Tomaz, que está em Miami desde 25 de agosto.
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