Carlos Bolsonaro é responsável por seu pai não ir à prisão domiciliar e não vai parar até ele morrer


Carlos, o filho “02” de Bolsonaro. Foto: Jorge Silva/Reuters
H

Carlos Bolsonaro tornou-se o principal obstáculo para qualquer possibilidade de Jair Bolsonaro deixar a prisão comum e ir para o regime domiciliar. Seus ataques repetidos ao ministro Alexandre de Moraes e ao Supremo Tribunal Federal não ajudam o pai em nada — ao contrário, agravam sua situação jurídica e política.

Não é preciso recorrer a Freud para entender o que está em curso: ao esticar a corda todos os dias, Carlos deseja a morte do tirano.

Nesta quinta-feira (15), Alexandre de Moraes respondeu duramente às reclamações da família Bolsonaro e de aliados sobre as condições da prisão do ex-presidente. O ministro classificou as críticas como uma campanha deliberada de notícias fraudulentas, cujo objetivo é desacreditar o Judiciário e criar uma narrativa de perseguição.

Ao determinar a transferência de Bolsonaro para o 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo da Papuda, Moraes foi explícito: cumprimento de pena não é hospedagem de luxo nem temporada de descanso. Segundo o ministro, Jair Bolsonaro cumpre pena com respeito à dignidade humana e em condições muito superiores às enfrentadas pela imensa maioria da população carcerária do país.

Moraes respondeu diretamente a declarações de Flávio Bolsonaro, que chamou a Superintendência da Polícia Federal de “cativeiro” e lançou suspeitas sobre a alimentação oferecida ao pai. Para o ministro, tratam-se de críticas sem base factual, que ignoram o caráter excepcional do tratamento dado ao ex-presidente, se comparado aos mais de 384 mil presos em regime fechado no Brasil.

Carlos Bolsonaro foi ainda mais longe. Acusou Moraes de violação de direitos humanos e tentou desqualificar a Sala de Estado-Maior, reduzindo-a a um rótulo vazio que, segundo ele, não garantiria dignidade a um idoso com problemas de saúde. A resposta veio com ironia contida: Moraes afirmou que Carlos provavelmente desconhece a realidade brutal do sistema carcerário brasileiro.

Outros aliados entraram no coro. O deputado Paulo Bilynskyj comparou a execução da pena de Bolsonaro ao tratamento dado a terroristas em El Salvador e classificou o ruído do ar-condicionado como tortura. Moraes lembrou que, como delegado de polícia, o parlamentar deveria saber o que significa cumprir pena em regime fechado.

Para desmontar a narrativa vitimista, o ministro apresentou dados objetivos. Enquanto o sistema prisional brasileiro opera com superlotação superior a 150% e foi reconhecido pelo próprio STF como um “estado de coisas inconstitucional”, Bolsonaro permanece em condições privilegiadas, distantes da realidade enfrentada pela maioria dos presos.

A queixa da defesa sobre o ar-condicionado foi tratada como inusitada. Moraes destacou que a existência de climatização já é, por si só, um privilégio inexistente para quase todos os custodiados no país. Ainda assim, a administração passou a desligar os geradores durante a noite.

Na nova unidade, Bolsonaro ficará em uma Sala de Estado-Maior de quase 65 metros quadrados, com quarto, cama de casal, sala, cozinha, lavanderia e área externa exclusiva para sol e exercícios. A defesa poderá instalar barras de apoio, grades na cama, esteira e bicicleta ergométrica.

Nada disso, porém, parece suficiente para conter a sanha de Carlos Bolsonaro nas redes sociais. Cada ataque, cada acusação e cada provocação reforçam no STF a convicção de que a família não busca justiça, mas confronto. E, nesse processo, o filho age como quem fecha, por dentro, a porta da cela do próprio pai.

DCM

Postar um comentário

0 Comentários