
O desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) causou a ira de conservadores e evangélicos. A apresentação, realizada no domingo (15) na Marquês de Sapucaí, gerou críticas sobretudo por causa de uma ala intitulada “neoconservadores em conserva”, que trouxe foliões fantasiados com referências à “família tradicional”.
Parlamentares ligados ao segmento evangélico afirmaram que a encenação representou ridicularização pública da fé cristã. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, líder do PL Mulher, declarou que a “fé cristã foi exposta ao escárnio” e cobrou posicionamento da Frente Parlamentar Evangélica. “Dizem que o país é laico, mas laicidade não autoriza zombaria, nem humilhação”, bravejou Michelle.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) também criticou o desfile e afirmou que a ala “ridiculariza” a igreja evangélica, sustentando que houve conivência do governo com a encenação.
O senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS) acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR), alegando discriminação religiosa e escarnecimento público por motivo de crença. Nos pedidos, os parlamentares afirmam que a representação dos evangélicos em fantasias de “latas de conserva” expôs fiéis a constrangimento coletivo em uma transmissão de alcance nacional e internaciona

Entre lideranças religiosas e políticas conservadoras, o episódio foi interpretado como mais um fator de desgaste na relação entre o governo e o eleitorado evangélico. O deputado e pastor Otoni de Paula (MDB-RJ) avaliou que o desfile teve impacto negativo na tentativa de aproximação com esse público.
“Lula comete os mesmos erros de Bolsonaro: arrogância e comunicação exclusiva com sua bolha eleitoral. Quantos votos Lula perderia se fosse cauteloso e não participasse do desfile? Nenhum. Quantos pode ter perdido ou deixará de ganhar com esse movimento? Muitos. O PT não calculou que uma parte considerável dos eleitores de Lula é conservadora. Enfim, a direita agradece”, disse.
Outros parlamentares reforçaram o tom crítico. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, apontou possível abuso de poder político em declarações recentes do presidente sobre evangélicos e pediu investigação. Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que os eleitores devem lembrar da fantasia na hora de votar, enquanto aliados da oposição prometeram novas ações judiciais.
A escola de samba, por sua vez, explicou que a fantasia representava a “dita família tradicional” e que os adereços buscavam enumerar grupos associados ao neoconservadorismo, incluindo agronegócio, defensores da ditadura militar e grupos religiosos.
Integrantes do governo e do PT sustentaram que não houve interferência no enredo e que o desfile se enquadra na liberdade de expressão artística.
0 Comentários
Escreva aqui.