“Dark Horse”: o que se sabe sobre o filme picareta de Bolsonaro bancado por Vorcaro;AZARÃO

O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação

O filme “Dark Horse”, produção picareta sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, voltou ao centro das atenções após uma reportagem do Intercept Brasil apontar que o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria destinado cerca de US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) para financiar o longa, a pedido do senador e filho mais velho do líder de extrema-direita, Flávio Bolsonaro.

A cinebiografia é dirigida por Cyrus Nowrasteh e tem estreia prevista para 11 de setembro de 2026 nos cinemas brasileiros. A trama aborda os bastidores da campanha presidencial de 2018 e inclui episódios como a facada sofrida por Bolsonaro em Juiz de Fora (MG) e sua eleição a presidente menos de dois meses depois.

O ex-presidente será interpretado pelo ator Jim Caviezel, conhecido por viver Jesus Cristo no filme “A Paixão de Cristo”. Nos últimos anos, Caviezel também ganhou repercussão por declarações antivacina e apoio a teorias conspiratórias.

O ator Jim Caviezel durante o filme de Bolsonaro. Foto: Divulgação

Agressões e comida estragada

A produção do filme tornou-se alvo de diversas denúncias feitas por trabalhadores brasileiros — de agressões a comida estragada — após as gravações realizadas entre outubro e novembro de 2025, em São Paulo.

Figurantes e técnicos afirmam ter enfrentado condições de trabalho inadequadas. Entre os depoimentos mais graves está o do ator Bruno Henrique, que diz ter sido agredido por membros da segurança durante gravação no Memorial da América Latina, em 21 de novembro.

Segundo ele, a produção proibiu celulares, mas não forneceu local seguro para guardá-los. Ao tentar entrar com o aparelho, relata ter sido arrastado, empurrado e agredido: “Esse americano que tomou a blusa em que o celular estava da minha mão veio, grudou no meu braço, me jogou para fora do local onde estava sendo feita a revista”.

Bruno afirma ainda que sofreu nova agressão: “O segurança deu um tapa na minha mão e veio para cima de mim para me dar um soco… Ele me deu um soco e, inclusive, eu fiz corpo de delito”.

Os atores que viverão a família Bolsonaro

O elenco reúne nomes ligados aos integrantes da família Bolsonaro. Marcus Ornellas interpreta Flávio Bolsonaro, enquanto Sergio Barreto vive Carlos Bolsonaro. Já Edward Finlay foi escalado para interpretar Eduardo Bolsonaro. A atriz Camille Guaty dará vida a Michelle Bolsonaro

O roteiro foi escrito pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro. Segundo o parlamentar, a proposta do filme é apresentar “a verdade” sobre os acontecimentos de 2018, mirando especialmente o público simpático ao ex-presidente.

As mensagens entre Flávio e Vorcaro

Segundo o Intercept Brasil, parte dos recursos para o longa teria sido solicitada diretamente por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro. A reportagem afirmou que pelo menos R$ 61 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 em operações ligadas à produção.

Parte dos valores teria passado pela Entre Investimentos e Participações antes de seguir para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a aliados de Eduardo Bolsonaro.

O veículo também divulgou áudios e mensagens atribuídos a Flávio Bolsonaro sobre dificuldades financeiras envolvendo o projeto. Em um dos trechos publicados, o senador afirma: “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, num Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos do cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim”.

Além das questões financeiras, “Dark Horse” enfrentou denúncias durante as gravações realizadas em São Paulo entre outubro e novembro de 2025. Figurantes e técnicos relataram problemas envolvendo atrasos em pagamentos, alimentação inadequada e supostas agressões cometidas pela equipe de segurança da produção.

O caso chegou ao Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões de São Paulo (Sated-SP), que abriu um dossiê para reunir denúncias relacionadas ao filme.

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