
O presidente Lula (PT) embarca nesta quarta-feira (6) para os Estados Unidos, onde será recebido por Donald Trump na quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington. O encontro é tratado pela diplomacia brasileira como uma tentativa de normalizar a relação comercial entre os dois países e reduzir tensões em temas como tarifas, Pix, crime organizado, minerais críticos e geopolítica.
Pressionado pela crise com o Congresso, Lula também busca demonstrar prestígio internacional e esvaziar o discurso de bolsonaristas alinhados ao presidente estadunidense. No Planalto, a avaliação é que a reunião pode ajudar a impedir que Trump sinalize apoio a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), possível adversário de Lula na eleição.
Um dos pontos centrais da conversa será a cooperação contra o crime organizado, segundo o g1. O governo brasileiro quer evitar que os Estados Unidos classifiquem facções como PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, medida vista por Lula como ameaça à soberania nacional e possível justificativa para ações unilaterais estrangeiras.
A estratégia brasileira é apresentar um plano de combate a facções, lavagem de dinheiro e tráfico de armas. O governo pretende lançar na próxima semana o programa Brasil Contra o Crime Organizado, com ações de forças federais e estaduais para recuperar áreas dominadas por facções e endurecer regras no sistema prisional.
A pauta econômica também terá peso. No mês passado, representantes dos dois governos se reuniram em Washington para discutir a investigação aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração envolve acusações de práticas econômicas desleais relacionadas ao Pix, ao etanol, ao acesso ao mercado brasileiro e até a redes sociais estadunidenses.

Lula tem repetido que “ninguém” vai obrigar o Brasil a mudar o Pix. Apesar das declarações públicas de autoridades estadunidenses contra o país, integrantes da diplomacia brasileira dizem que a ordem é negociar e buscar um consenso.
Outro tema será a exploração de minerais críticos e terras raras. O Brasil detém uma das maiores reservas do mundo e quer manter controle nacional sobre esses recursos, com parcerias que incluam transferência de tecnologia e desenvolvimento industrial. O governo brasileiro não pretende aderir a uma aliança ampla proposta pelos Estados Unidos e deve priorizar acordos bilaterais com diferentes países.
Na área geopolítica, Lula deve abordar a Venezuela, Cuba e o Oriente Médio. O presidente tem criticado os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, além de defender soluções multilaterais e a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU). O Brasil também acompanha a crise humanitária em Cuba e teme que uma escalada regional afete a estabilidade da América Latina.
Na comitiva estarão os ministros Dario Durigan, Wellington César Lima e Silva, Mauro Vieira, Márcio Elias Rosa e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Para auxiliares, a viagem pode funcionar como um contraponto à crise interna após a derrota do governo no Senado com a rejeição de Jorge Messias ao Supremo.
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