Mensagens com Flávio e prisão do pai surgem de um único celular de Vorcaro; faltam 8

Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master. Foto: reprodução
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Os áudios e conversas envolvendo Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foram encontrados na perícia de apenas um dos celulares apreendidos pela Polícia Federal. Segundo uma fonte ligada às investigações, embora Vorcaro tenha tido mais de oito aparelhos recolhidos, “o telefone que interessa é o primeiro, que estava full”.

De acordo com informações do Uol, o material desse aparelho embasou parte das decisões tomadas no caso Master. Em março, menos de 30% do conteúdo de um dos celulares já havia sido considerado suficiente pela Polícia Federal para classificar a situação como emergencial e acionar o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com base nesse material, Mendonça decretou a prisão de Vorcaro pela segunda vez.

O ministro também já recebeu o conteúdo revelado pelo Intercept Brasil, que mostrou Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. O senador tratava o banqueiro com proximidade nas mensagens, chegando a chamá-lo de “irmão”.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”, escreveu Flávio em 16 de novembro de 2025. Na ocasião, ele cobrava a liberação de recursos prometidos por Vorcaro para a produção do filme.

Segundo o Intercept, Vorcaro se comprometeu a repassar US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para a produção. Ao menos US$ 10,6 milhões, aproximadamente R$ 61 milhões, teriam sido pagos. O banqueiro também chamava o senador de “irmãozão”.

Em outra mensagem, Flávio diz que os dois têm “liberdade”. Vorcaro chegou a convidar o parlamentar para jantar em sua casa com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh, integrantes da produção de “Dark Horse”.

A Polícia Federal analisou até agora apenas parte de um dos celulares apreendidos com Vorcaro. Outros sete aparelhos vinculados ao empresário ainda não passaram por perícia completa. Parte deles permanece inacessível, já que os investigadores não conseguiram desbloqueá-los.

A expectativa dos investigadores é que uma eventual delação premiada possa acelerar o acesso ao conteúdo restante. Com um acordo, a PF poderia exigir que Vorcaro fornecesse as senhas dos aparelhos. Apesar disso, nos bastidores, a avaliação é que o celular já analisado “já está entregando tudo”.

Vorcaro tenta negociar um acordo de colaboração premiada. Segundo a colunista Mônica Bergamo, André Mendonça estaria descontente com o conteúdo apresentado pelo banqueiro e não deve homologar a delação nos termos atuais.

Nesta quinta-feira (14), a PF prendeu Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, em nova fase da Operação Compliance Zero. A ação mira integrantes de “A Turma”, grupo descrito como uma estrutura usada para intimidar críticos, monitorar autoridades e obter informações sigilosas em favor do ex-dono do Banco Master.

Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Foto: reprodução

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