A primeira avaliação sobre o encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7/5), na Casa Branca, foi positiva. Após a reunião, os líderes trocaram elogios públicos e exaltaram qualidades do outro.
Em coletiva de imprensa, logo após o encontro na Casa Branca, Lula disse que saiu “satisfeito” da reunião. “A nossa relação é muito boa, uma relação que pouca gente acreditaria que pudesse acontecer com tanta rapidez”, disse
Na declaração, Lula lembrou o primeiro encontro com Trump, na Assembleia-geral da ONU, em setembro de 2025. “Sabe aquela história de amor à primeira vista, aquele negócio da química? Foi isso que aconteceu, e eu espero que continue assim”, afirmou o brasileiro.
Pela rede social Truth Social, Trump chamou Lula de “o dinâmico presidente do Brasil”.
“Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico Presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião foi muito produtiva”, escreveu o presidente americano.
O encontro marcou uma reaproximação entre Brasil e EUA em meio a tensões comerciais e discussões estratégicas sobre segurança, minerais críticos e investimentos.
A reunião durou cerca de três horas — mais do que o previsto inicialmente — e incluiu uma conversa reservada no Salão Oval, encontro ampliado com ministros e assessores e um almoço oficial.
Ao final, Lula afirmou ter saído “muito satisfeito” da conversa e disse que não houve temas proibidos durante o diálogo com Trump.
“Não tenho assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutível”, declarou.
Na coletiva de imprensa, Lula chegou a brincar sobre a postura de Trump durante a conversa.
“Vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que de cara feia”, afirmou o petista.
Tarifas e comércio bilateral
Um dos principais pontos da reunião foi a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos, especialmente após a adoção de tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros e sanções aplicadas contra autoridades nacionais.
Segundo Lula, ele cobrou maior participação das empresas americanas em investimentos e licitações no Brasil.
“Eu disse a ele que muitas vezes nós fazemos licitações internacionais e muitas vezes os EUA não participam, quem participa são os chineses”, afirmou.
Trump também destacou o tema comercial ao comentar o encontro em publicação na Truth Social. O republicano classificou Lula como um “presidente dinâmico” e afirmou que os dois discutiram “comércio e, especificamente, tarifas”.
O chanceler Mauro Vieira afirmou que os dois governos criaram missões específicas para aprofundar as negociações em diferentes áreas econômicas e comerciais nos próximos meses.
Terras raras e minerais críticos
Outro tema central da reunião foi a cooperação em torno de minerais críticos e terras raras — recursos estratégicos utilizados em tecnologias de ponta, baterias, semicondutores, defesa e transição energética.
O petista afirmou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais para exploração e industrialização desses minerais e sinalizou que o país pretende ampliar sua participação global nesse mercado.
“Nós não temos preferência. O que queremos é fazer parceria […] Quem quiser ajudar a gente a fazer mineração e produzir riqueza com essas terras raras está convidado para ir ao Brasil”, declarou.
Combate ao crime organizado
Embora o combate ao crime organizado tenha sido citado como um dos temas da agenda bilateral, Lula afirmou que a classificação de facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, não entrou diretamente na conversa com Trump.
Ainda assim, o presidente disse ter apresentado medidas do governo brasileiro para enfrentar organizações criminosas e ressaltou que o tema é tratado “com muita seriedade” pelo Planalto.
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