
A cidade de Utqiagvik, no extremo norte do Alasca, ficará 84 dias sem noite por causa do fenômeno conhecido como “sol da meia-noite”. Desde domingo (10), o Sol deixou de se pôr na região e só deve voltar a desaparecer no horizonte em 2 de agosto. Durante esse período, os quase 5 mil moradores viverão sob claridade constante, inclusive durante a madrugada, o que leva muitos deles a usar cortinas blackout para conseguir dormir no escuro.
O fenômeno ocorre em áreas localizadas entre o Círculo Polar Ártico e o Polo Norte e está ligado à inclinação do eixo da Terra, de aproximadamente 23,5 graus, em relação à órbita ao redor do Sol. Durante o verão no Hemisfério Norte, o Polo Norte fica inclinado em direção ao Sol, fazendo com que regiões como Utqiagvik permaneçam iluminadas mesmo durante a rotação diária do planeta. “Se você tivesse um eixo de rotação perpendicular [formando ângulo de 90º] ao plano da órbita da Terra, não teríamos estações do ano. E o Sol estaria sempre no horizonte, nos dois polos, o ano inteiro”, explica o astrônomo João Batista Garcia Canalle.
Apesar da luz constante, Utqiagvik segue enfrentando frio intenso, já que os raios solares chegam de forma inclinada e têm menor capacidade de aquecer a superfície. Mais adiante, em novembro, a situação se inverterá com a chegada da noite polar, quando a cidade deve passar cerca de 65 dias em escuridão total. Nesse período, sem radiação solar direta, as temperaturas podem cair ainda mais e variar entre -25°C e -30°C.
DCM
0 Comentários
Escreva aqui.