
O pastor-empresário Silas Malafaia abriu uma frente com a Igreja Católica ao usar um culto com a presença do senador Flávio Bolsonaro e de outros próceres da extrema-direta para atacar a origem do PT e vinculá-la ao catolicismo.
Durante o evento na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC) na Penha, zona norte do Rio, no domingo (3), Malafaia afirmou que o Partido dos Trabalhadores nasceu “dentro” da Igreja Católica, citando declarações atribuídas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao teólogo Leonardo Boff.
Segundo ele, sem as Comunidades Eclesiais de Base, ligadas à Teologia da Libertação, o partido simplesmente não existiria. Malafaia deu como revelação e escândalo algo público e notório, tentando criminalizar essa associação.
A fala não foi apenas uma interpretação histórica: foi um movimento político claro. Ao tentar deslocar para os católicos a crítica recorrente de mistura entre religião e política, Malafaia reposiciona o debate para blindar o campo evangélico aliado ao bolsonarismo.
Malafaia execra os católicos. Já chamou o Papa Francisco de “hipócrita” e acusou-o de “falsificador do evangelho”. Também protagonizou choques com padres e bispos, ampliando o tom agressivo e personalista. Sua opinião sobre Leão XIV, o inimigo número 1 de Donald Trump, não é das melhores, evidentemente.
Não por acaso, Malafaia perfila com animais como Steve Bannon, ex-conselheiro da Casa Branca, que manteve conversas com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein nas quais discutia sabotagens contra o papa Francisco. Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA mostram que Bannon chegou a afirmar que pretendia “derrubar” o pontífice.
As mensagens, trocadas em 2019, indicam que os dois tentaram enfraquecer a influência do papa, a quem viam como um obstáculo a seus planos. “Vamos derrubar (o papa) Francisco. Os Clintons, Xi, Francisco, a União Europeia — vamos lá, irmão”, escreveu Bannon a Epstein.
A atuação de Bannon na Europa incluiu a tentativa de criar um centro de formação política na Itália, voltado à defesa de valores que ele classificava como “judaico-cristãos”. Epstein não queria Francisco atrapalhando seus planos de tráfico sexual. Bannon queria que o amigo auxiliasse no financiamento de milícias religiosas e na produção de conteúdos (como um documentário) que atacassem a Santa Sé.
“Querem substituir o modelo judaico-cristão pelo modelo ateísta-humanista. É isso que está em jogo. Acorda, povo de Deus”, disse Silas Malafaia no circo de domingo.
O projeto deles é o mesmo. Ao fim e ao cabo, trata-se de matar Jesus.
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