
Dirigentes de partidos do Centrão avaliam que a revelação de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou Daniel Vorcaro após a primeira prisão do ex-dono do Banco Master agravou a situação do pré-candidato à Presidência. Segundo a Folha de S.Paulo, integrantes de União Brasil, PP e Republicanos, partidos que o senador tenta atrair para sua campanha, veem as novas informações como a “ponta do iceberg” da relação entre os dois.
Nos bastidores, dirigentes desses partidos dizem que ainda há pontas soltas sobre a proximidade entre Flávio Bolsonaro e o empresário. A avaliação é que novos fatos sobre conversas, encontros e o destino dos recursos destinados ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, podem ampliar o desgaste do senador e afetar a viabilidade de sua candidatura em 2026.
Flávio Bolsonaro confirmou nesta terça-feira (19) que se encontrou com Vorcaro no fim de 2025, depois que o banqueiro havia sido preso e liberado com tornozeleira eletrônica. O senador disse que procurou o empresário para “colocar um ponto final” na relação ligada ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro e negou irregularidades.
A crise começou após o Intercept Brasil revelar mensagens e documentos que indicam negociação direta de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro para financiar o projeto. Segundo a reportagem, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 para a produção, em um acordo cujo valor total previsto chegava a R$ 134 milhões.

O caso também teve impacto eleitoral. Os mercados reagiram à crise e Lula abriu vantagem de sete pontos sobre Flávio Bolsonaro no primeiro grande levantamento divulgado após a revelação dos vínculos do senador com Vorcaro. Pesquisa AtlasIntel mostrou Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno.
Petistas passaram a explorar a nova revelação. Lindbergh Farias (PT-RJ) questionou o motivo da visita de Flávio Bolsonaro a Vorcaro após a prisão do banqueiro: “Depois da tornozeleira eletrônica também não sabia de nada? Afinal, o que foi fazer lá? Cobrar mais dinheiro? Interferir na investigação?”. Gleisi Hoffmann chamou o senador de “cara de pau” e associou o encontro à relação financeira entre os dois.
Dentro do PL, aliados dizem acreditar que a crise pode ser contida se não surgirem novas revelações. No Centrão, porém, a avaliação é mais cautelosa: a reação de Flávio Bolsonaro nas próximas semanas será decisiva para medir se a candidatura conseguirá se recuperar ou se entrará em processo de derretimento antes da formalização das alianças para 2026.
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