RISCO DE FUGA: PF é acionada para apreender passaporte de Flávio Bolsonaro, que planeja visita a Trump


Flávio Bolsonaro (PL) com a mão no rosto
O senador Flávio Bolsonaro (PL) – Reprodução

O deputado federal Reimont (PT-RJ) apresentou, na última quinta-feira (21), uma representação para pedir o bloqueio de bens e a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Eduardo Bolsonaro, Jair Renan, Carlos Bolsonaro, Mário Frias (PL-SP) e do ex-governador Cláudio Castro. O pedido foi feito às autoridades em meio à viagem prevista de Flávio para Washington, na próxima segunda-feira (25), onde ele tenta articular um encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo Reimont, a medida busca impedir que o senador use a viagem como rota de fuga das investigações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal. “Esses homens podem ser uma rede de distribuição de recursos que precisam ser rastreados para que o dinheiro dos aposentados e pensionistas seja reintegrado ao Rioprev”, afirmou o deputado. Ele cita pagamentos milionários de Vorcaro supostamente ligados ao financiamento do filme “Dark Horse”, ao caso do Banco Master e a desvios de recursos do Rioprev.

A pré-campanha de Flávio afirma que a viagem aos Estados Unidos tem como objetivo uma eventual reunião com Trump. Aliados do senador dizem que o encontro estaria sendo mediado pelo secretário de Estado estadunidense Marco Rubio e por Eduardo Bolsonaro, que mora nos EUA. A Casa Branca, no entanto, ainda não confirmou a agenda. A correspondente da GloboNews em Washington, Raquel Krähenbühl, afirmou que questionou Stephen Miller, vice-chefe de gabinete da Casa Branca, sobre o tema. “Não tenho nenhuma atualização sobre isso”, respondeu Miller, segundo a jornalista.

Para Reimont, a saída de Flávio do país neste momento exige providências. “Ela exacerba o risco de fuga”, disse o deputado, em referência à viagem marcada em meio ao avanço das apurações sobre o escândalo Vorcaro. “Não vamos deixar o Flávio Bolsonaro fugir! Acabei de entrar com um pedido de APREENSÃO DO PASSAPORTE e dos bens dele e da turma dele!”.

Reimont citou ainda que Mário Frias já está fora do país e que Eduardo Bolsonaro também se mudou para os Estados Unidos.

Vorcaro e o filme “Dark Horse”

Vorcaro virou epicentro da crise do PL após reportagens do Intercept Brasil revelarem que ele teria financiado “Dark Horse”, filme sobre a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

Segundo as apurações divulgadas, o banqueiro se comprometeu a repassar cerca de R$ 134 milhões ao projeto, e ao menos R$ 61 milhões teriam sido enviados por meio de estruturas ligadas a empresas e fundos no exterior. O caso ganhou força porque os repasses teriam ocorrido após pedidos de Flávio Bolsonaro, que aparece em áudios cobrando pagamentos de Vorcaro.

Inicialmente, Flávio negou que o Banco Master ou Vorcaro tivessem financiado o filme. Depois da divulgação de mensagens, documentos e comprovantes, o senador admitiu ter buscado recursos privados para a produção e passou a dizer que a relação com o banqueiro se limitava ao longa.

A crise se agravou quando ele também confirmou ter visitado Vorcaro em São Paulo depois da primeira prisão do banqueiro, quando ele usava tornozeleira eletrônica e estava impedido de deixar o estado. Flávio afirmou que foi ao encontro para “botar um ponto final” na questão do financiamento.



As explicações provocaram desconforto dentro do PL. Parlamentares cobraram do senador garantias de que não surgiriam novas revelações e a cúpula passou a trabalhar com um prazo para medir o impacto político do caso.

A crise também atingiu aliados do projeto: Mario Frias, produtor-executivo de “Dark Horse”, chegou a dizer que o filme não havia recebido um “único centavo” de Vorcaro, mas depois vieram à tona áudios em que ele agradece o banqueiro pelo apoio à produção. Eduardo Bolsonaro também passou a ser citado em apurações sobre a estrutura financeira do filme e sobre a possibilidade de parte dos recursos ter bancado sua permanência nos Estados Unidos.

A repercussão foi além do partido. Setores do mercado financeiro, do agronegócio e lideranças evangélicas passaram a demonstrar cautela em relação à pré-campanha de Flávio. Silas Malafaia disse que a relação do senador com evangélicos “esfria” se houver comprovação de que o dinheiro foi usado para algo além do filme. Romeu Zema também elevou o tom e afirmou que o Novo foi “traído” por Flávio, alegando que ninguém no partido sabia da relação dele com Vorcaro.

Nas pesquisas, o impacto apareceu rapidamente. Levantamentos AtlasIntel/Bloomberg e Vox Brasil indicaram queda de Flávio Bolsonaro após o caso. A Atlas mostrou Lula abrindo vantagem sobre o senador no primeiro e no segundo turno, além de apontar Flávio como o nome mais rejeitado entre os principais políticos testados. A Vox Brasil também registrou Lula à frente em um eventual segundo turno, com 46,8% contra 38,1% de Flávio.

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