A Copa do Mundo é o único torneio capaz de fazer até quem diz não gostar de futebol parar diante da televisão para acompanhar um lance de perigo, comemorar um gol ou tentar entender por que uma jogada foi anulada. Para assistir aos jogos, não é preciso ser especialista, mas conhecer algumas regras e termos básicos ajuda a acompanhar melhor as partidas e entender as decisões da arbitragem.
O futebol tem duas equipes com 11 jogadores cada, incluindo o goleiro. O objetivo é simples: marcar mais gols do que o adversário. O gol só vale quando a bola ultrapassa totalmente a linha entre as traves e abaixo do travessão. A partida tem duração mínima de 90 minutos, divididos em dois tempos de 45, com intervalo de 15 minutos.
O árbitro pode acrescentar minutos ao fim de cada tempo para compensar paralisações, como substituições, atendimento médico, checagens do VAR ou confusões. Em fases eliminatórias, se o jogo terminar empatado, pode haver prorrogação, com dois tempos de 15 minutos. Se o empate continuar, a vaga ou o título é decidido nos pênaltis.
Como funciona a Copa do Mundo
A Copa terá 48 seleções divididas em 12 grupos com quatro equipes. Na fase de grupos, cada seleção joga três vezes, enfrentando os outros times da própria chave. Vitória vale três pontos, empate vale um e derrota não soma ponto.
Avançam para o mata-mata os dois primeiros colocados de cada grupo e os oito melhores terceiros colocados. A partir daí, começa a fase eliminatória: quem perde está fora. A primeira etapa será chamada de 16-avos de final, novidade neste formato. Depois vêm oitavas, quartas, semifinais e final.
Nas fases eliminatórias, se houver empate no tempo normal, o jogo vai para a prorrogação. Persistindo a igualdade, a decisão acontece nos pênaltis. Cada seleção tem cinco cobranças iniciais. Se continuar empatado, começa a disputa alternada: um time cobra, depois o outro, até que um acerte e o adversário erre.
O pênalti perdido por Baggio, da Itália, que deu o título ao Brasil em 1994. Foto: Neal Simpson/EMPICS
O campo e suas áreas
As linhas de fundo ficam atrás dos gols. Quando a bola sai por ali, há duas possibilidades: escanteio ou tiro de meta. Se a bola toca por último em um defensor, é escanteio para o ataque. Se toca por último em quem atacava, é tiro de meta para o goleiro.
A grande área é o retângulo maior perto do gol. É o único espaço em que o goleiro pode pegar a bola com as mãos. Se um defensor comete falta dentro dessa área, o árbitro marca pênalti. A cobrança é feita da marca do pênalti, que fica a 11 metros do gol.
A pequena área, ou área de meta, é o retângulo menor dentro da grande área e serve como referência para cobranças de tiro de meta. Já a meia-lua, grudada à grande área, existe para manter os jogadores afastados da bola nas cobranças de pênalti.
A falta ocorre quando um jogador age de forma imprudente, usa força excessiva ou impede irregularmente o andamento da jogada. Ela pode gerar tiro livre direto, quando é permitido chutar direto para o gol, ou indireto, quando a bola precisa tocar em outro jogador antes.
O cartão amarelo é uma advertência por faltas, reclamações ou condutas irregulares. Dois amarelos no mesmo jogo resultam em expulsão. O cartão vermelho tira o jogador diretamente da partida, geralmente por agressões, ofensas ou faltas violentas.
Mão na bola nem sempre é pênalti. A infração ocorre quando o jogador usa mão ou braço de forma deliberada, aumenta artificialmente o espaço do corpo, assume o risco ao deixar o braço em posição antinatural, marca gol após toque no braço ou quando o goleiro pega a bola com as mãos fora da área. Como depende da interpretação sobre “movimento natural”, esse tipo de lance costuma gerar polêmica.
O impedimento, a regra mais famosa e confusa, existe para impedir que atacantes fiquem parados perto do gol esperando a bola. Ele é marcado quando, no momento do passe, o jogador que recebe está à frente dos defensores, mais próximo do gol adversário. Braços não contam. Não há impedimento em tiro de meta, lateral, escanteio ou passe para trás.
Quem apita o jogo
O árbitro é a maior autoridade em campo. Ele marca faltas, cartões, pênaltis e valida ou anula gols. Os assistentes, conhecidos como bandeirinhas, ficam nas laterais e ajudam principalmente em lances de impedimento e saídas de bola.
O quarto árbitro controla substituições, informa acréscimos e observa bancos de reservas. O VAR é formado por árbitros que acompanham imagens em vídeo e só deve interferir em lances de gol, pênalti, cartão vermelho ou erro de identificação. A orientação é atuar em caso de “erro claro e óbvio” ou “incidente grave não percebido”.
Wilton Pereira Sampaio, brasileiro que apitará a abertura da Copa do Mundo. Foto: reprodução
Posições em campo
O goleiro defende o gol e é o único que pode usar as mãos dentro da própria área. Os zagueiros ficam no centro da defesa e têm como função bloquear ataques e afastar a bola. Os laterais jogam pelas pontas da defesa, mas também apoiam o ataque.
Os alas são laterais mais ofensivos, comuns em esquemas com três zagueiros. Os volantes atuam no meio-campo: o primeiro volante protege a defesa; o segundo volante ajuda tanto na marcação quanto na saída para o ataque. O meia-atacante, muitas vezes chamado de camisa 10, cria jogadas e dá passes decisivos.
No ataque, os pontas jogam abertos pelos lados, buscando dribles, cruzamentos ou finalizações. O centroavante é o camisa 9 clássico, referência perto do gol. Já o falso 9 recua para armar jogadas e abrir espaço para outros atacantes.
Carlo Ancelotti, treinador da Seleção Brasileira, dando instruções aos jogadores. Foto: reprodução
Formações mais comuns
As formações mostram como o time se organiza. No 4-3-3, há quatro defensores, três meio-campistas e três atacantes. É um esquema muito usado por equipes que gostam de atacar pelos lados.
No 3-5-2, o time joga com três zagueiros, cinco jogadores no meio, incluindo alas, e dois atacantes. É uma formação que pode ser defensiva ou ofensiva, dependendo da postura dos alas.
No 4-4-2, há quatro defensores, quatro meio-campistas e dois atacantes. É tradicional e equilibrado, mas pode deixar o time em desvantagem no meio-campo contra adversários com mais jogadores nessa faixa.
Com essas noções, a Copa fica mais fácil de acompanhar. Mesmo sem decorar todas as regras, entender gols, impedimento, pênalti, cartões, VAR e posições ajuda o torcedor ocasional a não se perder durante os jogos e a aproveitar melhor o torneio.
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