Presidente afirma que disputa eleitoral é assunto interno do Brasil e critica declarações do americano
presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu nesta quarta-feira 17 a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a política brasileira e afirmou que o processo eleitoral do País deve ser tratado exclusivamente pelos brasileiros. Durante entrevista coletiva na embaixada do Brasil em Genebra, Lula pediu que o americano não interfira nas eleições nacionais.
“As eleições do Brasil são um problema do Brasil. Como as eleições americanas são um problema dele. Não é um problema meu”, afirmou o presidente. Em seguida, reforçou o recado: “Não se meta nas eleições do Brasil”.
Lula respondeu às declarações feitas por Trump, que classificou a situação política brasileira como perigosa e fez referências equivocadas à família Bolsonaro. O presidente brasileiro também afirmou esperar que o americano “não fira o código de ética entre as nações que querem ser respeitadas”.
Questionado sobre a pouca interação entre os dois líderes durante a cúpula do G7, Lula classificou como “desaforada” a postura de Trump em relação ao Brasil e disse que o presidente americano se comporta “como imperador”. Apesar disso, negou que exista um rompimento diplomático entre os dois países.
Segundo Lula, a ausência de uma reunião bilateral ocorreu porque as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos ainda estão em andamento. “Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação”, declarou, citando conversas conduzidas pelo chanceler Mauro Vieira com o secretário de Estado americano e pelo ministro Márcio Elias Rosa com representantes do governo dos Estados Unidos.
O presidente revelou ainda que entregou pessoalmente quatro documentos a Trump durante a cúpula. Os textos tratavam do combate ao crime organizado, das terras raras e minerais críticos, do comércio bilateral e do acordo firmado entre Brasil, Turquia e Irã em 2010 sobre o programa nuclear iraniano.
Segundo Lula, optou por entregar os documentos por escrito para evitar distorções. “Eu fiz questão de entregar por escrito, porque agora, quando eu converso com uma pessoa que fala mais do que ouve, eu faço questão de entregar por escrito para as pessoas não esquecerem o que eu entreguei”, afirmou.
Ao comentar o documento sobre segurança pública, Lula disse ter aproveitado o encontro para contestar a decisão do governo americano de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, medida anunciada na semana anterior pelo secretário de Estado Marco Rubio.
“Eu fiquei surpreso quando a semana passada recebo a notícia da punição, inclusive colocando as facções criminosas como terroristas”, declarou. Em seguida, argumentou que essas organizações têm natureza diferente da definição adotada pelos Estados Unidos. “Essas ações criminosas são terroristas para o povo brasileiro. Não são terroristas como você pensa, eles não querem brigar e derrotar o Estado, eles não querem criar um outro Estado, eles querem dinheiro. Então é diferente.”
Lula também afirmou ter cobrado maior cooperação dos Estados Unidos no combate ao tráfico internacional de armas e à lavagem de dinheiro relacionada ao crime organizado brasileiro. “Todas as armas que a Polícia Federal apreende no Brasil vêm de Miami. E o Estado de Delaware faz lavagem de dinheiro de bandidos brasileiros”, disse, sem indicar a origem dessas informações.
O presidente também defendeu o sistema eleitoral brasileiro e destacou a rapidez da apuração das urnas eletrônicas. “Não tem país no mundo que tem um sistema de urna eletrônica em que, duas horas após terminar as eleições, a gente já sabe o resultado em 27 estados da Federação”, disse.
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