
O deputado federal Reimont (PT-RJ) anunciou que vai protocolar nesta semana na Procuradoria-Geral da República um pedido de apreensão e retenção dos passaportes de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Valdemar Costa Neto, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Eduardo Cunha. O parlamentar afirma haver risco de fuga após a Polícia Federal apontar suspeitas sobre o controle de emendas por políticos sem mandato.
Em vídeo publicado nas redes sociais no domingo (12), Reimont disse que pretende reforçar um pedido anterior contra Flávio Bolsonaro e incluir o presidente nacional do PL, o líder do partido na Câmara e o ex-presidente da Casa. “É alarmante ver o que a extrema direita tem feito, o que os deputados, deputadas e lideranças do PL têm feito. Portanto, esta semana, de maneira justificada, com argumentos robustos, eu vou pedir à PGR, mais uma vez, a apreensão, a retenção do passaporte do Flávio Bolsonaro”, afirmou.
O petista afirmou que a nova representação terá também os nomes de Sóstenes, Valdemar e Cunha. “Vocês estão vendo aí as bandalhas crescentes desse pessoal. Existe a possibilidade de eles sumirem do país a qualquer momento”, disse Reimont, ao defender que eventuais sugestões de outros nomes venham acompanhadas de justificativas.
A representação não implica retenção automática dos documentos. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá de avaliar se há elementos para pedir ao Supremo Tribunal Federal uma medida cautelar contra os citados.
PF aponta atuação de Valdemar em emendas de R$ 119 milhões
O anúncio ocorre após a Polícia Federal apontar que Valdemar Costa Neto, mesmo sem mandato parlamentar, teria coordenado a destinação de 21 emendas que somam cerca de R$ 119 milhões. Investigadores encontraram registros e comunicações internas que identificavam verbas como “emendas do Valdemar”.
O ministro Flávio Dino, do STF, suspendeu repasses ligados às emendas investigadas e determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens de Valdemar. Dos valores mapeados, aproximadamente R$ 104 milhões já teriam sido pagos.
Valdemar admitiu que participa da articulação de emendas de deputados do partido e citou o humorista e ex-deputado Tiririca. Para a PF, a suspeita central envolve a possível ocultação do verdadeiro responsável pelas indicações e do caminho percorrido pelo dinheiro público.
Sóstenes Cavalcante aparece na investigação entre parlamentares que teriam dado forma oficial a emendas atribuídas nos bastidores a Valdemar. A apuração também menciona Luiz Carlos Motta e Capitão Alden como possíveis “laranjas” no esquema, sem indicar necessariamente que eles tenham recebido recursos.
Outro núcleo envolve Eduardo Cunha, cassado em 2016. A PF identificou ao menos 29 emendas da Comissão de Saúde, no total de R$ 6,15 milhões, que teriam sido direcionadas pelo ex-deputado. Dino também determinou bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens de Cunha e suspendeu a execução das emendas investigadas.
Cunha nega irregularidades. O ex-deputado afirma que não era o autor formal das emendas, não recebeu recursos e apenas apresentava demandas de municípios a parlamentares com mandato.
Flávio Bolsonaro não foi apontado até agora como autor ou beneficiário das emendas investigadas nos núcleos de Valdemar e Cunha. O senador entrou na crise ao defender o presidente do PL, acusar a Polícia Federal de agir de forma seletiva e afirmar que dirigentes partidários costumam conversar com deputados sobre a destinação de recursos.
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