VÍDEO: Prefeito bolsonarista expulsa médico e é acusado de forjar flagrante em hospital; ENTENDA


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Carlinhos da Pedreira, prefeito de Barreiros. Foto: reprodução

O prefeito bolsonarista de Barreiros (PE), Carlos Artur Soares de Avelar, conhecido como Carlinhos da Pedreira (PP), expulsou dois médicos do Hospital Jailton Messias de Souza Albuquerque durante uma fiscalização filmada na noite de quarta-feira (4). Nas imagens, ele acusa os plantonistas de dormirem e de “namorar” enquanto a emergência recebia pacientes.

“Um absurdo o que vocês estão fazendo. Meus Deus do céu! A emergência lotada de gente e vocês aqui dormindo, namorando? É um absurdo. Vou botar para fora agora. Saiam daqui, desse hospital”, gritou o prefeito. Em seguida, ele chamou os profissionais de “vagabundos”.

Carlinhos afirmou que decidiu visitar a unidade após chegar do Recife, por volta das 22h. Ele disse ter encontrado a recepção lotada e ouvido que havia três médicos escalados, mas apenas um atendia os pacientes.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito relatou que procurou os médicos pelos quartos do hospital e encontrou os dois no mesmo local, em descanso. “Disse que eu não admitia aquilo, que era um absurdo o que eles estavam fazendo, que era uma negligência médica, demiti eles na hora”, declarou.

Entidades médicas criticam exposição dos plantonistas

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) repudiou a exposição pública dos médicos. A entidade afirmou que dúvidas sobre atendimento, escalas e funcionamento de serviços de saúde devem seguir os canais institucionais e legais, sem constrangimento aos profissionais.

“A fiscalização dos serviços públicos de saúde não confere a qualquer gestor o direito de expor médicos ao julgamento público, tampouco de comprometer sua honra, imagem e dignidade profissional”, afirmou o Cremepe.

O Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) também repudiou a abordagem do prefeito e contestou a insinuação sobre a vida íntima dos plantonistas. Para o sindicato, a presença de uma médica e de um médico em ambiente de repouso não sustenta a acusação feita pelo gestor, e as imagens não demonstram o comportamento insinuado.

O Simepe informou ter recebido relatos de que os profissionais descansavam após intensa atividade assistencial nas primeiras 12 horas do plantão, enquanto um terceiro médico seguia no atendimento. A entidade ressaltou que o repouso deve ser organizado sem interromper a assistência e não caracteriza, por si só, abandono de serviço.

Após o episódio, a Prefeitura de Barreiros anunciou a rescisão do contrato de gestão do hospital com a Associação João Paulo II. O município informou que a Secretaria de Saúde assumirá temporariamente a administração, a operação e a assistência da unidade enquanto conduz uma licitação para contratar uma nova organização gestora.

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